03 junho 2015

Entrevistas e Mães

Ora olá.
Parece que voltei. Voltei a terras africanas, voltei ao Blog, voltei à condição de menstruada... voltei a muita coisa.
Mas tenho estórias. Ah se tenho...
Ora como vocês as duas sabes, tenho andado a enviar currículos e em entrevistas, isto para tentar encontrar oportunidades laborais interessantes na minha área das biologias, por esse mundo afora. Assim sendo, houve uma oportunidade de entrevista para uma posição super interessante num sitio ainda mais interessante. Chorei bastante quando recebi o email para a entrevista... mas eu choro sempre muito e por muito pouco, por isso não há aí nenhuma novidade.
Chorei, fiquei extasiada, principalmente pelo facto de ainda ter valor no mercado, que há já tanto tempo abandonara. Podia não dar em nada a entrevista, não interessa, mas quiseram ouvir a minha bela voz, o que já me faz cair uma lagriminha no canto do olho.
Marquei entrevista com a senhora, e calhou que essa entrevista fosse no dia a seguir a eu ir para Sines. Ora até não calhou mal, ia estar em casa, sossegadita... ou não.
A minha mãe tem um hábito muito giro que implica elevar o tom de voz em situações pouco propositadas. Por exemplo, quando ela está no andar de baixo e eu estou no de cima ela grita o meu nome muito e muitas vezes - pode não ser por nada, pode ser para pôr na SIC que está a dar alguma coisa que ela acha giro, pode ser para eu ir ajudar a ir ao facebook, pode ser porque diz que o tempo vai mudar.... Normalmente eu respondo mas ela só ouve a resposta se eu gritar muito também, o que se traduz numa casa de gente com boa projecção de voz - se ao menos fosse no tom a coisa era bonita. No entanto há situações em que eu não consigo responder. Não posso. Ora estou ao telefone com alguém, ora estou a castigar a porcelana, e não dá jeito gritar dali porque ainda puxo uma ou outra hemorróida. Então nestas situações, em que eu não respondo, ela sobe as escadas, sempre a gritar (Estrela, Estrela, Estrela, Estrela, Estrela), até eu lhe fazer sinal para ela se calar que não posso responder naquele momento. E depois ela vai-se embora muito encolhida por ter feito uma asneira, e eu fico sempre cheia de pena de ter sido má e com vontade de lhe dar abracinhos.
E vocês agora vocês perguntam o que raio é que isto tem a ver com entrevistas. Tem tudo. Tem mesmo tudo...
Conhecendo os antecedentes comportamentais da minha mãe, disse-lhe que ia estar a manhã toda no computador a trabalhar e em reuniões e que não podia ser interrompida, nem ela podia gritar por mim. Percebeste, mãe??? Percebeste?
Percebeu.... ou não...
Ora no dia X, comecei eu a labutar no computador cedinho, porque ainda não estava de férias, e passei uma manhã tranquila no meu quarto, sem ninguém me chatear ou sem ouvir os cães, os pais, a televisão, estava bem encaminhada a coisa.
A entrevista era ao final da manhã. Liguei-me ao skype, avisei a rapariga que já estava online, e pus-me a ler coisas da empresa, a afinar os últimos detalhes. Na hora marcada ela liga-me pelo skype, e o que eu achava que seria uma conversa apenas vocal, incluía afinal a câmara ligada. PÂNICO! Primeiro atendi, vi que ela ligou a câmara e vi-me a mim também... de robe vestido (estava com frio), de cabelo desgrenhado e no meu quarto de adolescência.... Ai... não está a começar bem a coisa... Despi o robe como quem não quer a coisa, como quem continua a não querer a coisa fechei a porta do roupeiro atrás de mim que está aberta e tentei jogar ao chão, sem sucesso, a toalha que estava a secar na porta...
Lá fui eu respondendo às questões, mas sempre a olhar para a minha câmara a ver se estava tudo ok com o que a outra senhora estava a ver. Estava a coisa mais organizada e mais encaminhada quando... para mal dos meus pecados... a minha mãe assoma-se à porta.
Sem gritar, está claro, mas a gesticular muito. Fiz-lhe um sinal, como se faz com o cães quando se se quer que eles saiam, sem desviar o olhar da câmara e a olhar de esguelha para ela, enquanto lhe faço sinal para ela se ir embora. Ela, achando que eu não estava a perceber bem a importância de me chamar para o almoço, vem ao pé de mim para me tocar no ombro e me falar ao ouvido.... eu empurro-a e quase cometo mãecídio. O que é que ela faz de seguida? Passa muitas vezes atrás de mim, para fazer não sei bem o quê, enquanto a entrevistadora assiste à minha mãe a rodopiar no meu quarto enquanto procura a minha compostura perdida.... Por fim, lá se decide ir embora e eu olho muito envergonhada para a senhora, sem saber bem se pedir desculpa (its my mom, sorry about it), sem saber se me justifico que este era o meu quarto de adolescente e estou de férias e aqueles peluches não são mesmo meus... bom... no final não disse nada, e fingi que não aconteceu esta situação. Espero apenas que mais do que não ter visto a minha mãe a passar repetidas vezes atrás da câmara, ela não tenha visto os meus olhares assassinos para ela, que foram muito poucos apelativos da boa pessoa que sou.
Moral da estória. Mãe é sempre mãe, e a minha é a maior inspiração para este cantinho especial.
Ah.. e consegui uma segunda e uma terceira entrevista, por isso a situação nem foi assim tão má..
Fingers crossed!




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