26 julho 2010

A si, que comentou....


Sinto-me na obrigação de escrever este post, já em muito semelhante ao anterior pois será pouco apelativo à parvoíce e aos temas sem interesse absolutamente nenhum, ou seja, bem longe do que acostumei os meus mais fiéis leitores (estarei a chocar uma esquizofrenia?). Mas acredito que o deva escrever, não só para agradecer os comentários de apoio e força à situação anteriormente descrita, o que mostra já de si que o mundo não está tão perdido como se pensa e que afinal de contas, vocês que deambulam por estas paragens até são mais interessantes do que se poderia pensar à partida…. Mas também gostaria de esclarecer e responder a um comentário em particular que vem, e muito bem, defender o lado paternal da questão anterior, mas que não se encontra devidamente esclarecido, do meu ponto de vista.
Antes de mais agradeço todos e quaisquer comentários, porque nada me deixa mais feliz do que saber que me lêem e gostam, e por muito que não concordem, conseguem entender e se calhar até pactuar com uma ou outra vírgula… assim o espero, se não o que andam aqui a fazer? A página bloqueou?
Sobre o seu comentário:
Gostaria então realçar que o uso da expressão “Faz-me um pouco de "comichão" este seu insistir no tema da sua paixão por uma pessoa do mesmo sexo”, faz-me um pouco de comichão…
Passo a explicar. Em primeiro lugar é importante esclarecer que um blog, apesar de algo ultrapassado pelos facebooks e afins, é hoje em dia o chamado diário vintage, em que escrevemos absolutamente aquilo que nos apetecer sobre o que quer que nos apeteça… ou seja… é um espaço privado e público, que só vem e lê quem quer o que eu quero que leiam…
Criei então este blog, já há alguns aninhos atrás, porque considero ter uma daquelas vidas que davam filmes indianos muito maus, porque me acontecem as mais ridículas situações que podem acontecer a alguém e eu tenho o dom, que roubei a alguém, de conseguir ridicularizar ainda mais as caricatas aventuras que me acontecem. Mas como não poderia ser, e muito infelizmente, a minha vida não trata apenas de parvoíce e momentos ridículos, de vez em quando lá aparece alguma questão mais séria e profunda que me faz parar de dizer asneiras por uma vez e realmente pensar nas coisas…só naquela de não cansar…. No entanto, e apesar de essas situações não vos fazer rir como eu gostaria (se calhar até se riem das minhas desgraças, desgraçados…), este meu espaço serve de escape para libertar tudo aquilo que não seja gaseificado, e que eu sinta necessidade de evacuar (subentenda-se, escrita) …
Isto tudo para explicar que eu tenho o direito de insistir no tema que me apetecer sem ter que me justificar. Porém acredito que esta sensação que tem em que estou a insistir no tema da homossexualidade é errada, até porque não costumo assim tanto escrever sobre a minha vida pessoal e sentimental, a não ser quando acontecem coisas ridículas ou sérias... sou assim bipolar. Até pelo contrário, costumava insistir e escrever muito sobre o tema das mulheres se esvaírem em sangue mensalmente e outro tipo de fluidos, e nunca ninguém sentiu comichões por eu apenas falar porcaria. Parece-me então, que a sensibilidade a comichões mostra que afinal há temas tabus que não são assim tão fáceis de ler…
A sua comichão deriva do meu “insistir” num tema que seria natural, diz. Do meu ponto de vista, o tema é tão natural que o facto de falar no assunto não deveria causar urticárias a ninguém… se causa… é porque infelizmente não é assim tão natural. Para mim o é, tanto que falo dele como de menstruação, e realmente a opinião dos outros não me interessam, só me interessam aquelas que inferem directamente comigo e por tal, acreditando que há gente que não concorda e gente que concorda, a mim só me resta viver a vidinha como a entender, sem me reger pelos outros. No entanto, continuo a ter o direito de escrever sobre o que me apetecer, e os ditos leitores de comentarem o que lhes apetecer.
Outro assunto que gostaria de realçar, é que uma vez mais, e muito ao jeito de quem realmente não está muito de acordo com este tipo de situações amorosas, é que considera eu são opções e estilos de vida que optamos ter. Já referi aqui, e volto a frisar, que isto não é como meter-se nas drogas ou prostituir-se, que até há muita boa gente que acha não serem opções porque a vida levou-os a isso, mas que a paixão e o amor que sentimos por alguém não se escolhe e não se cancela. Eu apaixonei-me por uma pessoa espectacular, se alguém quer ver algum problema aqui que veja, e isso sim é opção delas, não minha.
Outra questão é que me parece que houve um mal entendido. O post anterior diz respeito à situação da minha companheira com os pais dela, e não com os meus. Obviamente que compreendo os pais, e creio que qualquer pessoa que se veja nessa situações compreende os pais, daí o receio de contar, porque compreendem como eles vão reagir. E atenção que compreender é diferente de concordar. Eu compreendo a atitude de “com os outros tudo bem, na minha casa é que não”, mas não concordo. Mas lá está, cada um sabe o que fazer da sua vida e das escolhas que faz, porque o preconceito sim é uma escolha.
Espero então, para si que é pai, e para todos os outros, que ao menos as minhas palavras sirvam para que, numa situação semelhante (seja o diabo cego e mudo, certo?), parem para pensar nem que seja 2 segundos e digam “espera aí que aquela moça pouco dada à inteligência uma vez escreveu algo sobre isto” e que vos faça ter em consideração aquilo que os vossos filhos/primos/irmãos poderão estar a sentir. O problema é que muita vezes os pais não concordam e nem sequer compreender o que passa no coração dos filhos…. E maioritariamente não querem compreender.
E quero deixar claro que, ao contrário da opinião dos outros que não interessam e que realmente só faz sentido ouvirmos aquelas de quem gosta de nós, os pais, quer queiramos quer não, são a árvore que nos criou e por isso estaremos eternamente ligados a eles, sejam adoptivos ou não (mas isso é outro tema) e por isso sim, a opinião deles interessa, e se podermos mudar mentalidades e matar preconceitos criados em épocas históricas diferentes, melhor ainda…. Afinal os pais também têm de crescer e mudar com os filhos.
Mas quero acima de tudo agradecer-lhe ir passando por aqui, e deixando a sua opinião, porque afinal de contas ainda me deu argumento para escrever mais umas belas linhas… Espero ter elucidado sobre algumas questões que me pareceram mal compreendidas, e que, acima de tudo, não deixe de aqui espreitar as parvoíces que costumo escrever, porque na maioria das vezes, não dão comichões!
Façam todos o favor de serem felizes.

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